SUS deve receber novo tratamento para diabetes
- 30/01/2020
Até o dia 3 de fevereiro, profissionais de saúde, pessoas com diabetes, familiares, cuidadores e a sociedade como um todo podem participar de uma consulta pública e opinar sobre a inclusão de nova terapia para diabetes no SUS. Esse medicamento vai ajudar a melhorar a vida de quem tem diabetes tipo 2 (DM2) e doença cardiovascular estabelecida.
O diabetes tipo 2 é uma doença crônica que precisa de tratamento contínuo1. Se não controlada, causa uma série de outros problemas de saúde, incluindo infarto e AVC, que podem levar à morte2. Caracterizada pelo aumento de glicose no sangue, a doença está associada entre 8% a 12% das internações no Sistema Único de Saúde (SUS)3. E de acordo com a International Diabetes Federation, pessoas acima de 60 anos e com diabetes tipo 2 têm um risco de três a quatro vezes maior de morrer por doenças cardiovasculares4.
O tratamento do DM2 vai além da insulina. Existem hoje novos medicamentos para controle da doença e os pacientes têm direito a ter acesso aos melhores tratamentos, seguindo a orientação médica1. “A cesta básica de medicamentos para diabetes tipo 2 disponível no SUS é muito restrita, porém, e não é atualizada há mais de quatro décadas”, destaca o endocrinologista Ruy Lyra, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Isso significa que ficam fora do alcance da população com menos recursos, opções de tratamento de ponta, como é o caso dos medicamentos que estão em avaliação na consulta pública da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec): os chamados inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), mais conhecidos como gliflozinas.
“Simplificadamente, as gliflozinas inibem a absorção de açúcar nos rins, assim ele é eliminado em maior quantidade pela urina, reduzindo as taxas de glicemia”, explica o cardiologista Álvaro Avezum, professor da pós-graduação do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo.
O parecer inicial da comissão do SUS que analisa a inclusão de novas terapias é favorável à incorporação de um dos dois fármacos, empagliflozina e dapagliflozina. “Estudos mostraram que esses medicamentos são seguros e que, além da eficácia no controle glicêmico, trazem benefícios cardíacos”, diz Ruy Lyra. “Mas apenas o empagliflozina se mostrou capaz de reduzir a mortalidade em pessoas com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular. Seu uso resultou numa diminuição de 38% nas mortes por causas cardiovasculares e de 32% por todas as causas”, pondera o especialista.

Um relatório da Conitec estima que há mais de 8 milhões de brasileiros com diabetes tipo 2, sendo que mais de 680 mil estão acima dos 65 anos e apresentam risco cardiovascular. São pessoas que já sofreram infarto ou AVC ou passaram por cirurgia no coração, por exemplo. Portanto, o uso de empagliflozina por esse grupo evitaria cerca de 17.500 mortes por ano.7
“O principal objetivo da inclusão do novo medicamento deve ser justamente o aumento da sobrevida, ou seja, a redução das taxas de mortalidade”, avalia Álvaro Avezum. “Na sequência, por ordem de importância, deve-se considerar o decréscimo de infartos e AVCs e das complicações microvasculares da doença, como cegueira e amputação dos membros inferiores”, conclui.
O caminho da aprovação
Estudo publicado no The British Journal of Diabetes & Vascular Disease demonstra que, a partir dos 60 anos, até 80% das mortes de idosos com diabetes estão relacionadas a doenças do coração2,8. Não à toa, pacientes, profissionais de saúde e iniciativas como o Movimento Para Sobreviver,9 que reúne entidades, entre elas sociedades médicas de diabetes e a de cardiologia, incentivam a participação na consulta pública para a inclusão de tratamento mais moderno para o diabetes tipo 2 no SUS.

Levando em consideração todas as contribuições, a Conitec fará a recomendação final de qual das gliflozinas deve ser incorporada, que será encaminhada ao secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (SCTIE), responsável pela decisão sobre a incorporação das gliflozinas.
“A comunidade científica se sente feliz com a perspectiva de uma população de baixo poder aquisitivo ter acesso em larga escala a tratamentos que trazem tamanho benefício cardiovascular”, enfatiza o endocrinologista Ruy Lyra.
Com inf, Boehringer Ingelheim, Media Lab Estadão | Foto: Reprodução.
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