Crise do coronavírus pode colocar a economia do Paraná em quarentena
- 17/03/2020
Não é só a saúde pública que se preocupa e deve ser fortemente impactada pela crise do coronavírus. Em todo o mundo, a economia também tem sofrido com o rápido avanço da doença e no Brasil, que ainda luta para deixar a crise econômica no passado, o cenário não deve ser diferente. Em verdade, já não está sendo diferente e a tendência é que a economia também entre em quarentena.
Nos últimos dias, o Paraná já começou a sentir os primeiros impactos por conta da doença, com o cancelamento de eventos diversos (shows, festas e eventos culturais em geral) que previam aglomeração de pessoas e a paralisação de campeonatos de futebol (o que impacta a venda de cervejas, comida, transporte coletivo e privado).
Nos shoppings, o movimento das lojas caiu cerca de 30%, de acordo com a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (ALSHOP). No setor de alimentação fora do lar, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima que já há uma queda próxima de 15% por conta dos efeitos da disseminação do coronavírus, com a perda de faturamento podendo chegar a até 30%. A Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), por sua vez, prevê queda de pelo menos 20% no Paraná.
No âmbito industrial, a produção de eletroeletrônicos já sente a falta de insumos, materiais e componentes provenientes da China, sendo que 20% das indústrias desse ramo já operam com paralisação parcial em suas fábricas ou então programam paralisações para breve, enquanto a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) informou ontem que está coletando informações sobre setores que podem ser mais impactados com eventuais paralisações parciais ou totais de suas atividades em decorrência de ações de contingência. “Porém, ainda é difícil mensurar os reais impactos dessa crise para a atividade industrial paranaense”, informou a Fiep por meio de nota.
Para evitar um quebra-quebra generalizado, diversos segmentos preparam uma série de medidas paliativas. Uma delas é a flexibilização e parcelamento do pagamento de impostos como o ICMS, medida sugerida por shoppings, restaurantes, bares e empresas de transporte. A Associação Comercial do Paraná (ACP), por sua vez, recomenda a adoção de horário flexível de funcionamento dos estabelecimentos, até como forma de diminuir o fluxo de usuários nos horários de pico do transporte coletivo. A Abrasel também pretende fazer um escalonamento no horário de almoço em todo o país, além de sugerir que o governo arque com parte dos salários de funcionários do setor, valor que seria descontado mais à frente na forma de impostos, com o intuito de impedir o avanço do desemprego.
Perda para muitos, ganho para poucos
Em meio a tantas perdas (a estimativa da Bloomberg é de prejuízo mundial na casa dos 2,7 trilhões de dólares com o coronavírus), alguns setores ainda conseguem, em termos puramente financeiros (uma vez que é difícil falar em ‘efeitos positivos’ do surto quando pessoas morrem ou ficam isoladas socialmente), se valorizar.
Um exemplo é o aumento nas vendas de produtos de limpeza e de máscaras. Na Região Metropolitana de Curitiba, por exemplo, a Betel Uso Único viu as vendas dispararem, ao ponto de a fábrica ter aumentado em 35% o efetivo trabalhando apenas na produção de máscaras, com expectativa de chegar a até 70% nos próximos meses. A empresa também já implementou segundo e terceiro turno de trabalho e reforçou o maquinário para produção de máscaras cirúrgicas.
No ramo alimentício, a expectativa é que os aplicativos de delivery também saiam ganhando com o cenário de crise provocado pelo Coronavírus. “Delivery deve aumentar exponencialmente, aumentar muito, e uma negociação importanteé a redução das taxas que pagamos a essas empresas”, afirma o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci. “Quem vai se dar bem são os aplicativos de delivery”, complementa o presidente da Abrabar, Fábio Aguayo.
Guedes Ministro anuncia R$ 147,3 bilhões de incentivo
O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou ontem que o governo pretende injetar até R$ 147,3 bilhões na economia nos próximos três meses para amenizar o impacto do coronavírus sobre a economia e o sistema de saúde. Segundo o ministro, a maior parte dos recursos vem de remanejamentos, de linhas de crédito e de antecipações de gastos, sem comprometer o espaço fiscal no Orçamento. Conforme Guedes, até R$ 83,4 bilhões serão aplicados em ações para a população mais vulnerável, até R$ 59,4 bilhões para a manutenção de empregos e pelo menos R$ 4,5 bilhões para o combate direto à pandemia. “Vamos cuidar dos mais idosos. Já anunciamos os R$ 23 bi para entrar em abril e mais R$ 23 bi para maio (sobre antecipação para aposentados e pensionistas do INSS) e antecipar abonos para junho (R$ 12 bi)”, diz Guedes.
Como a economia pode ser afetada pelo Coronavírus?
Com inf Rodolfo Luis Kowalski | Foto: Agência Brasil
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