Órbita da Terra já acumula 7,5 mil toneladas de sucatas
- 06/05/2018
No início do mês de abril, Tiangong-1, estação espacial chinesa que pesava 8,5 toneladas e estava fora de controle e inoperante desde 2006, caiu no Oceano Pacífico, chamando a atenção do mundo para a questão da sucata espacial. O problema é bem mais grave do que a queda de um módulo em pane, a quantidade de lixo aumentou consideravelmente nos últimos anos, deixando o espaço orbital da Terra está cada vez mais próximo do limite de saturação, segundo estudo feito pela Agência Espacial Europeia (ESA).
A ESA estima que satélites inoperantes, partes de foguetes, peças de espaçonaves e pedaços de objetos relacionados a missões espaciais já somam 7,5 mil toneladas de lixo orbital. Em 60 anos de atividade espacial, mais de 5 mil lançamentos de foguetes fizeram com que a órbita da Terra ficasse repleta de desejos.
A velocidade desses detritos em torno da Terra pode passar dos 28 mil quilômetros por hora. O resultado de uma colisão entre um pequeno parafuso com um satélite pode ter o efeito de um tiro de canhão.
O diretor do Escritório de Detritos Espaciais de ESA, Holger Krag disse “Se reduzirmos os lançamentos espaciais a zero hoje mesmo, o número de objetos vai continuar aumentando da mesma forma. Isso porque cada colisão espalha um grande número de detritos, que continuam viajando no espaço em grande velocidade, produzindo novas colisões”.
Esse efeito cascata, que só tende a aumentar exponencialmente os riscos de novas colisões, praticamente inviabilizando o uso da órbita terrestre para a atividade espaciais, foi previsto em 1978 por um consultor da Nasa, Donald Kessler. Quatro décadas depois, a chamada “Síndrome de Kessler” já é uma realidade, segundo Krag.
“Há cinco anos, concluímos que a síndrome de Kessler já acontece em algumas regiões do espaço e então corremos para implementar nosso programa de redução do lixo espacial. Estamos desenvolvendo tecnologias de remoção ativa dos detritos. Se conseguirmos recursos, o programa entrará em ação em 2023”, afirmou Krag.
“Objetos menores também são perigosos, mas têm mais chance de cair na atmosfera, desintegrando-se”. Krag conta ainda que a prioridade é é retirar do espaço os objetos grandes, que são a maior fonte de novos detritos, e os mais próximos à terra, onde se concentra mais lixo.
Para Krag, o tempo entre duas colisões está ficando cada vez mais curto. “Hoje, acontece uma colisão a ada cinco anos, provocando milhares de fragmentos. Nesse ritmo, em poucas décadas a órbita baixa da Terra ficará impraticável.”
Em 2009 foi registrada a primeira colisão entre dois satélites de comunicação: um deles, russo, desativado, e o outro, americano, em operação. “Só nesse episódio foram lançados mais de 2 mil fragmentos de lixo. Por isso é tão urgente rastrear e eliminar esses objetos maiores.”
Até agora já foram rastreados mais de 23 mil detritos com mais de 10 centímetros na órbita da Terra. Outros 750 mil fragmentos têm entre 1 e 10 centímetros. Estima-se que haja ainda 166 milhões de dejetos com menos de 1 centímetro, que não podem ser rastreados.
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