MEC diz que ainda há muito o que debater sobre educação domiciliar
- 31/05/2019
O Ministério da Educação (MEC) quer ampliar os debates acerca da
educação domiciliar antes de definir um marco regulatório. Segundo a
coordenadora-geral do Ensino Fundamental da Secretaria de Educação Básica do
MEC, Aricélia do Nascimento, esta é uma pauta que não deverá sair do papel no
curto prazo. "Estamos nos organizando para que possamos ampliar em grupos
de trabalho essa discussão para aí sim elaborar um planejamento para o médio e
longo prazo. Não estamos colocando essa pauta em curtíssimo prazo", diz.
Segundo Aricélia, apesar de discutir o ensino domiciliar, o MEC não
deixa de lado a pauta de acesso à uma educação de qualidade. "Em nenhum
momento a educação domiciliar substitui a instituição escola. Entendemos que o
Brasil pode e tem ambições de neste momento ampliar o debate para que a
sociedade possa ter possibilidade a mais para aqueles que entendam que essa
possibilidade possa assegurar o direito subjetivo das crianças, adolescentes e
jovens de terem garantido o direito ao ensino".
O Brasil ainda não cumpriu a meta de universalizar a educação básica.
Por lei, pelo Plano Nacional de Educação (PNE), até 2016, o país teria que
universalizar a pré-escola e o ensino médio. Ainda há cerca de 1,9 milhão de
crianças e jovens fora da escola.
A coordenadora-geral participou hoje (30) de seminário de educação
domiciliar na Câmara dos Deputados. Na casa, tramita o Projeto de Lei 2401/19
regulamenta a educação domiciliar no país.
Pelo projeto cabe ao MEC registrar as famílias e aplicar uma avaliação
aos estudantes cujos responsáveis optarem por essa opção.
A secretária nacional da Família do Ministério da Mulher, Família e
Direitos Humanos, Ângela Gandra, defendeu a educação domiciliar: "Nosso
ministério vem apoiar não uma vertente educativa, mas a liberdade e a
responsabilidade dos pais com relação à educação. Sendo fundamento à liberdade,
tivemos a preocupação em garantir o direito e viabilizá-lo sem sufocá-lo
através da oportuna regulação. Por outro lado, queremos acompanhar a oportuna
flexibilidiade para que as crianças que sejam educadas dessa forma sejam
efetivamente bem educadas".
A pasta defende como pontos fundamentais do Projeto de Lei a garantia
de que cabe aos pais escolher o gênero de educação que dará aos filhos, a
existência de uma base cadastral das famílias que optarem pela educação
domiciliar e a avaliação da aprendizagem desses estudantes.
Para a coordenadora do Comitê DF da Campanha Nacional pelo Direito à
Educação, Catarina de Almeida Santos, a educação não deve ser tarefa exclusiva da
família. "A educação é direito de todos, dever do estado e da família.
Isso significa que as famílas não estão excluídas. Na verdade, têm papel
fundamental. O processo formativo fica mais rico quando tem a participacação da
família, mas isso não prescinde da participação do Estado", diz.
Representante do Movimento Interfórum de Educação Infantil do Brasil,
Maria Aparecida Martins defende que é dever constitucional do Estado garantir a
educação básica gratuita para brasileiros de 4 aos 17 anos de idade, inclusive
para quem não tiver acesso na idade adequada. Pela legislação, é dever dos pais
matricular seus filhos na rede de ensino. Para ela, a proposta desobriga o
Estado e os pais desses deveres.
Segundo Maria Aparecida, é importante que a criança vivencie
experiências para além do ambiente familiar. “A convivência com seus pares e
com a diversidade é de fundamental importância para o desenvolvimento da
criança”, disse. Ela questionou ainda se os órgãos do Estado brasileiro
estariam preparados para acompanhar e fiscalizar a aprendizagem em casa.
Defensor do ensino domiciliar, o presidente da Associação Nacional de
Educação Domiciliar (Aned), Rick Dias, defendeu que o debate não se trata de
família versus escola, mas de um "trabalho de solidariedade" entre
ambos. De acordo com ele, é preciso olhar para a realidade, independente do que
se gosta ou não. No Brasil, de acordo com a Aned, em 2018, 7,5 mil famílias
praticavam a educação domiciliar. "Essas famílias estão em um limbo
jurídico".
Segundo Dias, a educação domiciliar é permitida em 65 países. Ele
ressaltou que o Brasil ocupa a 58ª posição no ranking internacional de
liberdade educacional em ranking da organização sem fins lucrativos Oidel, com
sede em Genebra, na Suíça.
Agência Brasil
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