Natureza beneficia bem-estar e saúde da população, mostra pesquisa
- 14/05/2019
Estudo tem demonstrado como o contato com a natureza, mesmo que
indiretamente, por imagens, pode ajudar a melhorar o ânimo de pacientes em
tratamento contra o câncer. Coordenado pela pesquisadora Eliseth Leão no Instituto
Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, o estudo demonstra como relação
com a natureza pode ser um elemento de promoção da saúde.
Na primeira fase, houve mais de 28 mil avaliações de imagens da
natureza produzidas pela própria equipe do estudo, com foco no bem-estar, que
formou um banco de 450 fotos que podem ser usadas dentro dos hospitais em
futuros procedimentos como este da pesquisa.
A partir dessas imagens, um vídeo foi criado e apresentado a 78
pacientes durante sessões de quimioterapia. Os dados ainda estão sendo
analisados, mas já mostram que o estado de ânimo deles no momento que começam a
receber o medicamento melhora após a visualização do vídeo.
"Já foi possível notar que os aspectos negativos de preocupação e
ansiedade são inibidos e os positivos, de tranquilidade, são aumentados. Espero
que esta tendência seja mantida com o final do tratamento dos dados",
ressaltou Eliseth. Segundo a pesquisadora, há teorias que servem de base para
estudos da influência da natureza no bem-estar das pessoas, como a teoria da
recuperação psicofisiológica do stress, mostrando que há uma reação
restauradora imediata quando se está no meio da natureza.
"Depois tem uma outra [teoria] de recuperação da atenção: quando
você está na natureza, você tem uma atenção que não é forçada, não é dirigida,
então você consegue se recuperar da fadiga mental que nos acomete",
contou. "Outras pesquisas já antecederam o que a gente está fazendo agora.
As pessoas já sabem que a natureza faz bem, como quando dizem querer ir à praia
em situações de estresse, mas alguns tendem a achar que é algo muito pessoal e
sem evidência científica".
Por exemplo, um dos estudos que foram feitos na década de 80, segundo
Eliseth, colocava pacientes internados em quartos que tinham vista para a
natureza e outros em quartos que não tinham. "Aqueles que tinham vista [para
a natureza] saíam do hospital antes, se recuperavam mais rapidamente. Então
começaram a estudar como psicofisiologicamente a gente responde. Tem uma série
de teorias que mostram que [a natureza] é um ambiente restaurador".
O tema foi discutido no painel "Saúde e Mata Atlântica", na
capital paulista, durante a programação do evento Viva a Mata 2019, na Unibes
Cultural, realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, com participação da
pesquisadora.
"Muita gente sabe dos impactos causados pela degradação ambiental
e como isso afeta a vida das pessoas, e alguns desastres recentes comprovam
isso. Mas o que pouca gente sabe é como passar um tempo ao ar livre,
principalmente em áreas verdes, traz não apenas benefícios ao bem-estar, como
tranquilidade, mas também à saúde. É isso que queremos mostrar e resgatar a
relação positiva entre as pessoas e o meio ambiente", disse Erika
Guimarães, bióloga e especialista em Áreas Protegidas da SOS Mata Atlântica.
O médico patologista Paulo Saldiva, que também participa do painel hoje
de forma remota, concorda com as afirmações da pesquisadora. Para ele, as
pessoas não passam indiferentes por uma floresta e, quanto maior a exposição à
natureza, menor o risco de infecções, maior a taxa de recuperação e menor o
tempo para a alta de um paciente.
"Ao termos contato com a natureza percebemos que há uma afinidade
com ela, algo que enxergamos, pois foi imprintado em nosso genoma por milhares
de anos de evolução". Ele apresenta um dado da Universidade de Barcelona
comprovando como a natureza além de confortar psicologicamente, também aumenta
o cérebro de crianças e a produção de substâncias que reduzem inflamações e
melhoram a imunidade.
Agencia Brasil
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