Adolescente que salvou irmão em incêndio falece em hospital de Curitiba
- 19/03/2019
A adolescente Jaqueline Andrade, 16 anos, que salvou
o irmão de um incêndio no dia 15 de janeiro em Colombo, na Região Metropolitana
de Curitiba, apresentou uma piora geral em seu estado de saúde e perdeu a vida
na tarde desta segunda-feira (18) no Hospital Universitário Evangélico
MacKenzie, na capital. A informação foi confirmada pela mãe da jovem: “Estou
sem chão”, disse Dinair Farias de Andrade.
Salva irmão do incêndio
Jaqueline Andrade teve 60% do corpo queimado de
forma grave e permaneceu internada desde o dia em que o incêndio atingiu a casa
da família. No início da tarde, Dinair conversou com a RICTV Curitiba | Record
PR e explicou que o estado de saúde da filha sofreu um agravamento no sábado
(16). “De sábado para cá, ela fez um banho terapêutico e eu pensei que ia
melhorar. Até que melhorou um pouco. Mas, daí, ela começou a inchar o rosto,
sabe. Inchou bastante. Hoje ela amanheceu com dificuldade para respirar, está
bem agitada. Ela dá com os pés na parede, ela não está aceitando aquelas
máscaras [de oxigênio]. Ela fala que ela não aguenta mais e fala a todo momento
que ela não fez nada porque que tentaram matar ela”, contou a mãe.
Entenda o caso
No dia do incêndio, a jovem, mesmo com o corpo em
chamas, voltou para buscar o irmão de quatro anos. Em uma entrevista à RICTV
Curitiba | Record PR, concedida no dia 1º de fevereiro, ela contou como tudo
aconteceu.“Quando eu vi, o meu pai começou a gritar ‘a casa pegou fogo’. Daí,
todo mundo saiu correndo para fora e eu também saí correndo. Só que eu já
‘tava’ mais queimada porque o fogo começou no meu quarto. Aí, eu peguei e senti
falta dele, daí eu voltei correndo e peguei ele”. A menina ainda conta que
encontrou a criança apavorada e encolhida atrás do fogão. “Eu não me arrependo.
Eu faria tudo de novo”, afirmou com convicção.
Estado grave
Segundo Dinair, o fogo queimou a filha de tal forma,
que ela não reconheceu a menina quando entrou na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).
“Quando eu cheguei ali na UTI, que eu vi aquela moça com o rosto todo preto,
preto, preto, e cabeça muito inchada, eu pensei ‘Meu Deus, o tanto que essa
mulher se queimou’, explicou na ocasião.
Suspeita de incêndio criminoso
A casa da família ficou completamente destruída, no entanto,
em meio aos escombros, a polícia encontrou um coquetel motolov - um tipo de
bomba incendiária de fabricação caseira.
Jaqueline afirmou que enquanto dormia, teria por um
momento acordado e visto alguém abrindo a janela de seu quarto. “Eu notei que
era um homem. E eu tenho certeza que foi um incêndio criminoso e eu quero
justiça porque eu to sofrendo muito, a minha família e a minha mãe, todo mundo.
Tudo o que eu tô passando, eu não merecia”. Contudo, em nenhum momento, ela diz
estar arrependida.“Sabe que eu agradeço a Deus por eu ter sido queimada. Porque
eu sendo queimada, ele não morreu. Foi Deus que lembrou, né. Porque num
incêndio quem vai lembrar de alguém. Você lembra só da sua vida”, declarou
sobre o sacrifício que fez pelo irmão menor.
O caso é investigado pela Polícia Civil de Colombo.
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