Tragédia em Brumadinho completa um mês, com 134 desaparecidos
- 25/02/2019
Passado um mês da tragédia
causada pelo rompimento da Barragem 1 da Vale em Brumadinho (MG), os trabalhos
de buscas tentam localizar 134 desaparecidos. O número de mortos chega a 176.
De acordo com informações, a
barragem, localizada a 57 quilômetros de Belo Horizonte, rompeu-se por volta
das 12h20, de sexta-feira, 25 de janeiro. Sobreviventes relatam que um mar de
lama tomou conta de estradas, do rio, do povoado e, sobretudo, da área da Vale,
empresa responsável pela barragem. Como era hora do almoço, muitos funcionários
ficaram retidos no restaurante.
O misto de perplexidade, tristeza
e indignação se instalou no país. As dificuldades causadas pela lama e riscos
de contaminação aliados à chuva intensa aumentaram ainda mais a tensão nas
buscas por vítimas. Famílias inteiras desapareceram. Nem todos foram
localizados.
Ontem (24), ocorreram
manifestações em Brumadinho e em Belo Horizonte para homenagear os mortos.
Os rejeitos atingiram o Rio
Paraopeba, e o governo de Minas proibiu o consumo da água, devido ao risco de
contaminação. Não há estimativa de suspensão da medida.
Governo
O presidente Jair Bolsonaro
determinou uma ação rápida após a tragédia. Ele sobrevoou a área que se
transformou em um mar de lama e orientou uma força-tarefa a atuar na busca por
soluções. Pelo Twitter, ele lamentou o rompimento da barragem.
"Nossa maior preocupação
neste momento é atender eventuais vítimas desta grave tragédia", disse
Bolsonaro na época.
No último dia 18, foi publicada
resolução no Diário Oficial da União por recomendação da Agência Nacional de
Mineração (ANM). O Ministério de Minas e Energia definiu uma série de medidas
de precaução de acidentes nas cerca de mil barragens existentes no país,
começando neste ano e prosseguindo até 2021. A medida prevê a extinção ou
descaracterização das barragens chamadas "a montante", exatamente
como a que se rompeu em Brumadinho, até 15 de agosto de 2021.
Um boi é visto na lama depois do
rompimento de barragem de rejeitos de minério de ferro de propriedade da
mineradora Vale, em Brumadinho (MG).
Animais foram resgatados do mar
de rejeitos, após o rompimento da barragem Adriano Machado/Reuters/Direitos
reservados
Outro lado
Há três dias, a Vale informou ao
Ministério Público do Trabalho (MPT) que vai manter o pagamento de dois terços
dos salários de todos os empregados próprios e terceirizados que morreram na
tragédia. Segundo a empresa, o pagamento será mantido por um ano ou até que
seja fechado um acordo definitivo de indenização.
A empresa também se comprometeu a
só transferir empregados após prévia consulta e concordância do trabalhador,
além de consulta ao sindicato. Para a transferência, será priorizado o local de
origem do empregado.
Anteriormente, a Vale se
comprometeu a garantir emprego ou salário para os empregados de Brumadinho,
inclusive os terceirizados, até 31/12/2019. Também prometeu pagar as despesas
com funeral e verbas rescisórias das vítimas fatais, conforme certidão emitida
pelo INSS.
A Vale informou que dará
atendimento psicológico e fará pagamentos de auxílio-creche e de
auxílio-educação, além de danos morais para cônjuges ou companheiras, filhos,
pais e irmãos das vítimas.
Catve
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