Ex-morador de Santa Helena relata rotina de 20 dias em bunker na guerra da Ucrânia
- 12/06/2026
Ex-bombeiro da Defesa Civil diz que viveu em um buraco no chão, ficou semanas sem banho e viu colegas morrerem em ataques de drones na linha de frente
Escondido em um buraco coberto por madeira, lona e terra, o
paranaense Marcelo Andrade, 37 anos, passou cerca de 20 dias próximo à linha de
frente na Ucrânia, onde enfrentou falta de água, escassez de alimentos e
ataques constantes de drones. Ao final da missão, ele diz ter perdido 10
quilos.
Marcelo, natural de Cascavel e que morou em Santa Helena,
vivia nos Estados Unidos há um ano quando viajou à Ucrânia em fevereiro com a
expectativa de atuar como médico de combate, por conta da experiência como
bombeiro da Defesa Civil do Paraná. Três semanas após desembarcar, porém, foi
deslocado para a infantaria — unidade responsável por ocupar trincheiras,
manter posições defensivas e avançar sobre territórios inimigos.
Em vídeo enviado ao g1, o voluntário mostrou o interior do
abrigo improvisado: um espaço escavado no solo, coberto com lonas e materiais
de proteção. Nas imagens, Marcelo e outros quatro homens aquecem água da chuva
com chocolate para se alimentarem. “É basicamente um buraco no chão.
Não há luz nem conforto”, relatou.
Segundo ele, a maior dificuldade foi a interrupção no
abastecimento. O envio de suprimentos depende de drones; quando esses
equipamentos são abatidos, as tropas podem ficar dias sem comida ou água.
Marcelo afirma ter passado três dias sem água e cerca de 40 dias sem tomar
banho durante o período na linha de frente.
Os drones russos, diz o voluntário, tornaram‑se a principal
ameaça. “Eles são responsáveis pela maior parte das mortes na linha de
frente”, afirmou, relatando ter presenciado ataques que mataram vários
companheiros a cerca de 100 metros da posição.
Apesar das condições adversas, Marcelo afirma não se
arrepender da decisão, mas pretende retornar ao Brasil ao término do contrato
mínimo de seis meses.
Atualmente, aguarda transferência para uma unidade
especializada em operações com drones, considerada menos exposta que a
infantaria, e aguarda novas missões a partir de uma “casa segura” — uma
estrutura com características de residência, porém sem energia elétrica
regular.
Foto e informações: Portal da Cidade Santa Helena
Ficou sabendo de algo? Envie sua notícia no WhatsApp Xeretando (45)99824-7874
0 Comentários