Lula é condenado a 12 anos e 11 meses de prisão no caso do sítio de Atibaia
- 06/02/2019
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado,
nesta quarta-feira (6), a 12 anos e 11 meses por corrupção e lavagem de
dinheiro o processo da Lava Jato que apura se ele recebeu propina por meio da
reforma de um sítio em Atibaia (SP).
A sentença da juíza substituta Gabriela Hardt, da primeira
instância, é a segunda que condena Lula na Operação Lava Jato no Paraná. Cabe
recurso. Outras doze pessoas foram denunciadas no processo.
Gabriela Hardt – que substituiu o juiz Sérgio Moro –
decretou a interdição de Lula para o exercício de cargo ou função pública pelo
período equivalente ao dobro da pena estabelecida. A medida atinge ainda os
outros condenados por lavagem de dinheiro – Léo Pinheiro, José Carlos Bumlai,
Emílio Odebrecht, Alexandrino Alencar, Carlos Paschoal, Emyr Dinis, Roberto
Teixeira, Fernando Bittar e Paulo Gordilho.
A juíza declarou ter ficado comprovado que:
A OAS foi a responsável pelas reformas na cozinha do sítio
de Atibaia no ano de 2014;
As obras foram feitas a pedido de Lula e em benefício de sua
família, sendo que ex-presidente acompanhou o arquiteto responsável, Paulo
Gordilho, ao menos na sua primeira visita ao sítio, bem como o recebeu em São
Bernardo do Campo para que este lhe explicasse o projeto;
Foram executadas diversas benfeitorias, mas consta da
denúncia somente o valor pago à empresa Kitchens, no valor de R$ 170 mil;
Toda a execução da obra foi realizada de forma a não ser
identificado quem estava executando o trabalho e em benefício de quem seria
realizada;
Todos os pagamentos efetuados pela OAS à empresa Kitchens
foram feitos em espécie no intuito de não deixar rastros de quem era o pagador;
Não houve ressarcimento à OAS dos valores desembolsados pela
empresa em benefício de Lula e de sua família.
Gabriela Hardt afirmou que:
"É fato que a família do ex-presidente Lula era
frequentadora assídua no imóvel, bem como que usufruiu dele como se dona fosse.
Inclusive, em 2014, Fernando Bittar alegou que sua família já não o frequentava
com assiduidade, sendo este usado mais pela família de Lula";
Lula tinha pleno conhecimento de que a OAS era uma das
participantes do "grande esquema ilícito que culminou no direcionamento,
superfaturamento e pagamento de propinas em grandes obras licitadas em seu
governo, em especial na Petrobras. Contribuiu diretamente para a manutenção do
esquema criminoso";
O ex-presidente também tinha uma relação próxima com o
ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro Filho – "Tinha ciência do
'caixa geral' de propinas mantido entre a empresa e o Partido dos
Trabalhadores".
Consequentemente, Lula tinha plena ciência da origem ilícita
dos recursos utilizados pela OAS na reforma da cozinha do sítio.
"Portanto, reputo comprovada sua autoria pela contribuição na ocultação e
dissimulação de que era o real beneficiário dos valores ilícitos empregados
pela OAS na reforma do sítio de Atibaia."
A juíza determinou ainda o confisco do sítio de Atibaia. Ela
afirmou que, apesar de o processo não discutir a propriedade do imóvel – mas,
sim, as reformas que foram feitas nele –, os valores do terreno e das
benfeitorias são equivalentes. Assim, não haveria como decretar a perda das benfeitorias,
sem afetar o imóvel.
De acordo com ela, após a venda do sítio, a diferença entre
o valor das benfeitorias e o valor pago pelo imóvel deve ser revertida aos
proprietários – Fernando Bittar e a esposa. A alienação só deve ocorrer, porém,
após o trânsito em julgado do processo.
O ex-presidente está preso em Curitiba desde abril de 2018,
cumprindo a pena de 12 anos e um mês determinada pelo Tribunal Regional Federal
da 4ª Região (TRF4), na primeira condenação dele na segunda instância pela Lava
Jato.
O G1 entrou em contato com a defesa de Lula, que informou
ainda não ter um posicionamento sobre a condenação.
A denúncia
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Lula
recebeu propina do Grupo Schahin, de José Carlos Bumlai, e das empreiteiras OAS
a Odebrecht por meio da reforma e decoração no sítio Santa Bárbara, em Atibaia
(SP), que o ex-presidente frequentava com a família. Outras 12 pessoas foram
denunciadas no processo.
A acusação trata do pagamento de propina de pelo menos R$
128 milhões pela Odebrecht e de outros R$ 27 milhões por parte da OAS.
Para os procuradores, parte desse dinheiro foi usada para
adequar o sítio às necessidades de Lula. Segundo a denúncia, as melhorias na
propriedade totalizaram R$ 1,02 milhão.
O MPF afirma que a Odebrecht e a OAS custearam R$ 850 mil em
reformas na propriedade. Já Bumlai fez o repasse de propina ao ex-presidente no
valor de R$ 150 mil, ainda conforme o MPF.
Segundo o MPF, Lula ajudou as empreiteiras ao manter nos
cargos os ex-executivos da Petrobras Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Jorge
Zelada, Nestor Cerveró e Pedro Barusco, que comandaram boa parte dos esquemas
fraudulentos entre empreiteiras e a estatal, descobertos pela Lava Jato.
Outra condenação
O ex-presidente já havia sido condenado a nove anos e seis
meses de prisão, na primeira instância da Lava Jato, pelos crimes de corrupção
passiva e de lavagem de dinheiro, em julho de 2017, no processo referente ao
triplex de Guarujá (SP).
Em 24 de janeiro, por unanimidade, a 8ª Turma do TRF4
manteve a condenação e aumentou a pena de prisão do ex-presidente de 9 para 12
anos e 1 mês. Ele recorreu e, com todos os recursos esgotados, começou a cumprir
a pena em abril de 2018.
Desde então, o petista está preso uma sala especial na PF, na capital paranaense.
G1
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