Vale anuncia fechamento de 10 barragens semelhantes à de Brumadinho
- 30/01/2019
Após reunião com os ministros de
Minas e Energia, Bento Albuquerque, e do Meio Ambiente, Ricardos Salles, o
presidente da Vale, Fabio Schvartsman, anunciou nesta terça-feira, 29, que a
empresa vai acabar com dez barragens, como a que se rompeu em Brumadinho, nos
arredores de Belo Horizonte (MG). Segundo ele, essas barragens serão
descomissionadas. Todas localizadas em Minas Gerais. Segundo ele, o prazo para
executar as ações é de no mínimo um ano e no máximo 3 anos
“É a resposta cabal e à altura da
enorme tragédia que tivemos em Brumadinho. Este plano foi produzido três a
quatro dias após o acidente”, ressaltou o executivo.
Schvartsman afirmou que
descomissionar significa preparar a barragem para que ela seja integrada à
natureza. “A decisão da companhia é que não podemos mais conviver com esse tipo
de barragem. Tomamos a decisão de acabar com todas as barragens a montante”,
disse o executivo em Brasília.
O presidente da Vale disse que o
projeto para descomissionar as barragens está pronto e será levado para os
órgãos federais e estaduais em 45 dias. Segundo ele, o prazo para executar as
ações é de no mínimo um ano e no máximo 3 anos. Os trabalhos devem ter início
dois meses após a expedição das licenças. A Vale estima que serão aplicados
cerca de R$ 5 bilhões para efetivar o plano.
Schvartsman disse que “não teve
qualquer tipo de pressão” por parte do governo federal para intervir na direção
da Vale. De acordo com ele, a reunião de hoje com os ministros Costa e Lima e
Salles foi “absulutamente técnica”.
“Esse plano foi hoje apresentado
aos ministros de Minas e Energia e Meio Ambiente, assim como foi apresentado à
data de ontem ao governador Romeu Zema [de Minas Gerais].” De acordo com o
executivo, a decisão será publicada por meio de comunicado para informar o
mercado financeiro.
Impacto
A medida vai reduzir a produção
em 40 milhões de minério de ferro e 10 toneladas de pelotas por ano, o que
representa 10% da produção da empresa ao ano.
“A decisão da companhia é que,
depois que esse desastre aconteceu, não podemos mais conviver com esse tipo de
barragem, tomamos a decisão de eliminar com todas as barragens a montante,
descomissionando todas elas com efeito imediato. Para tanto será necessário
paralisar as operações de mineração em todos os sítios que estão nas
proximidades dessas barragens”, disse o presidente da Vale.
A decisão também foi comunicada
ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ontem (28).
O rejeito das barragens a serem
descomissionadas poderá ser convetido em outros materiais, como tijolos, ou
enterrado. “Todas as 19 já estão desativadas. As descomissionadas deixam de ser
barragens ou são esvaziadas ou integradas ao meio ambiente”, afirmou
Schvartsman. “Isso representa um esforço inédito de uma empresa no sentido de
dar uma resposta cabal à altura da tragédia de Brumadinho”, acrescentou.
O presidente da Vale disse ainda
que a empresa firmou o compromisso de incorporar os cerca de 5 mil
trabalhadores que serão afetados com a redução da operação, em razão do descomissionamento
das barragens.
Schvartsman disse que desde a
tragédia em Mariana, a companhia havia decidido desativar esse tipo de
barragem. Do total de 19 barragens em Minas Gerais, nove já foram
descomissionadas, isto é, tiveram suas atividades encerradas, deixando de
servir como barragens.
Serão contratadas empresas de
engenharia especializadas nesse tipo de procedimento. Durante o
descomissionamento das barragens, a operação da companhia será paralisada. A
empresa comunicará a decisão ao mercado ainda na noite desta terça-feira.
“A única maneira de fazer o
descomissionamento é parar a operação. A Vale tomou espontaneamente a decisão
de parar todas as operações. A razão pela qual temos que parar as operações é
para acelerar o descomissionamento, se fizermos isso coma operação em andamento
há enormes riscos de desmoronamento”, disse Schvartsman.
Segundo o presidente, a atividade
da companhia nas minas ocorrerá sem o uso de barragens a montantes. Serão
utilizadas apenas barragens convencionais e um procedimento de extração de
ferro a seco, adquirido pela empresa pouco antes do rompimento da barragem em
Brumadinho.
De acordo com o presidente da
Vale, o trabalho de recuperação de Brumadinho terá início logo após o trabalho
de remoção das vítimas. “Em primeiro lugar, estamos focados no atendimento as
famílias das vítimas e no resgate dentro das possibilidades das pessoas
vitimadas pela enorme tragédia”, afirmou.
Pressão
Questionado por jornalistas se a
decisão de descomissionar as barragens seria uma resposta à pressão do governo
junto a diretoria da empresa, Flávio Schvartsman disse que apresentou o plano
“que pretende praticar”.
“Em nenhum momento ouvi falar de
intervenção ou de pressão sobre o conselho. Quero registrar que as reuniões
foram absolutamente técnicas e não houve qualquer tipo de pressão. A Vale
apresentou ao governo o plano que pretende praticar, como ele tem impacto de
toda a natureza é necessário que o governo tomasse conhecimento”, afirmou.
Após o rompimento da barragem,
circulou a informação de que o governo federal, acionista da empresa, pudesse
agir para mudar a diretoria. Mais cedo, o ministro da Casa Civil, Onyx
Lorenzoni, disse em entrevista coletiva no Palácio do Planalto que "não há
condição" de o governo intervir para mudar a diretoria da mineradora.
Agência Brasil
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