Estudante de Diamante do Oeste é a primeira indígena no programa Ganhando o Mundo
- 12/06/2024
A aluna Larissa Takua Poty Ju Lopes, de 15 anos, será a
primeira aluna indígena a participar do Ganhando o Mundo, programa de
intercâmbio do Governo do Estado. A estudante da terra indígena Tekoha Añatete,
de Diamante do Oeste, no Oeste do Estado, foi um dos alunos selecionados para
passar um semestre letivo de 2025 em um país estrangeiro. Ela foi recebida
nesta segunda-feira (10) pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior no Palácio
Iguaçu.
O Ganhando o Mundo tem como objetivo levar alunos a outros
países para estudar outras línguas e conhecer novas culturas, compartilhando com
os colegas de escola a experiência no exterior. A edição do ano que vem será a
maior da história do programa, com 1,2 mil selecionados que vão viajar para
Austrália, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia e Reino Unido.
“Este é o maior programa de intercâmbio do Brasil e estamos
muito felizes que a Larissa será nossa primeira aluna indígena do Ganhando o
Mundo. Ela vai representar toda a cultura guarani, que é uma comunidade muito
importante do Paraná, em outro país”, afirmou o governador.
EXPECTATIVA – Para ser uma das selecionadas, a jovem passou
por um processo seletivo que contou com mais de 12 mil estudantes da rede
estadual de ensino do Paraná e levou em conta o desempenho escolar dos
adolescentes, a frequência deles nas aulas e a participação em atividades
extracurriculares.
Larissa, além de ser uma das alunas com as melhores notas da
escola, também ajuda os alunos mais novos nos estudos como monitora e tem
frequência máxima nas aulas.
Mesmo com toda essa dedicação, a estudante disse que demorou
a acreditar que tinha sido uma das selecionadas para o programa de intercâmbio.
“Primeiramente eu não acreditei. Foi todo um processo até entender que isso
tinha acontecido comigo. Foi uma emoção muito grande”, contou.
Mesmo sem saber para onde vai, já que o país de destino de
cada aluno ainda será definido em uma etapa posterior do programa, a jovem já
sabe que será a maior viagem da sua vida. “Eu nunca viajei e nem nunca vi de
perto um avião. Eu já fui para o Paraguai, já que moro na fronteira, e hoje vim
para Curitiba. O intercâmbio vai ser uma experiência muito diferente, com
muitas coisas novas, como conhecer um outro país muito diferente, uma nova
língua e novas culturas”, disse.
Na bagagem, Larissa vai levar a cultura do povo guarani,
representando seus 140 colegas da Escola Indígena Kuaa Mbo’E e as quase 500
pessoas que vivem na comunidade Tekoha Añetete.
“Ela é uma aluna muito dedicada e esforçada. É realmente
merecedora disso tudo e todos na escola estão muito felizes por ela, que será a
primeira aluna a viajar para outro continente. Certamente isso vai servir de
inspiração e motivação para os colegas dela”, disse o diretor da escola, Jairo
Cesar Bortolini.
O Paraná tem cerca de 1 milhão de alunos na rede estadual de ensino. Deste total, cerca de 7 mil são indígenas. A maior parte deles estuda em escolas indígenas, que são instituições que promovem a interação dos estudantes com as comunidades locais, preservando as tradições dos povos originários.
“No caso do colégio Kuaa Mbo’E, todos os alunos são da
comunidade indígena. Muitos deles chegam à escola só sabendo falar guarani e
aprendem a língua portuguesa lá”, afirmou o diretor.
Para o cacique da aldeia Tekoha Añetete, João Joetavy Miri
Alves, a dinâmica é fundamental para a preservação da cultura local. “É
importante para que eles mantenham a cultura guarani, aprendam as duas línguas
e preservem as tradições da família indígena. Por outro lado, este intercâmbio
que a Larissa vai fazer para outro país vai ser uma oportunidade de levar a
nossa cultura para o mundo todo”, disse.
Em Diamante do Oeste, a população indígena representa cerca
de 10% do município. “As comunidades indígenas são muito importantes culturalmente
para o município e nós temos muito orgulho que a Larissa será a primeira
intercambista da cidade pelo Governo do Estado”, afirmou o prefeito Guilherme
Pivatto Júnior.
GANHANDO O MUNDO - O programa foi lançando em 2019 e, desde
então, em suas quatro edições, 1.240 estudantes da rede de ensino já viajaram o
mundo.
Entre fevereiro e julho de 2022, na primeira edição, 100
alunos foram enviados ao Canadá, e na segunda, entre julho e outubro do mesmo
ano, outros 100 viajaram para a Nova Zelândia. Já na terceira edição, cujas
inscrições foram realizadas em 2023, a França passou a integrar a lista de
destinos na versão do Ganhando o Mundo França. Na ocasião, 40 estudantes
viajaram ao país. Em 2024, na terceira edição do programa, mais mil alunos
embarcaram para Austrália, Canadá, Inglaterra, Nova Zelândia e Estados Unidos.
O intercambista permanece por um período letivo
(aproximadamente seis meses) em instituições de ensino estrangeiras, tendo a
oportunidade de aprimorar o repertório cultural e acadêmico; vivenciar a
realidade de outros países; desenvolver a autonomia; aperfeiçoar o idioma
estrangeiro e consolidar-se numa rede de jovens líderes que atuarão nas escolas
da rede pública estadual de ensino.
Os custos de alimentação, hospedagem, transporte, emissão de
vistos e passaportes, passagens aéreas e terrestres, exames médicos, vacinas,
seguro viagem e saúde, taxa de matrícula, mensalidade da escola no Exterior,
material didático, uniforme, tradução juramentada da documentação escolar,
reuniões de orientação, assim como o curso preparatório de língua estrangeira,
são custeados pela Secretaria de Educação. Os alunos também recebem um auxílio
de R$ 800 por mês.
AEN | Foto: Ari Dias/AEN
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