Com 104 agentes e muita tecnologia, forças de segurança do PR seguem apoiando o RS
- 16/05/2024
As forças de segurança do Paraná têm feito a diferença no
atendimento às vítimas das enchentes e na manutenção da ordem no Rio Grande do
Sul. Primeira unidade da Federação a enviar apoio ao estado vizinho logo após o
início da tragédia ambiental, o Paraná está com um contingente de 104 agentes
de segurança em solo gaúcho. São 37 bombeiros, 28 policiais militares, 35
policiais civis e quatro técnicos de perícia da Polícia Científica.
Esse efetivo realizou até terça-feira (14) 1.030 resgates de
pessoas e 461 de animais. A grande maioria desse trabalho foi executado pelo
Corpo de Bombeiros, mas tanto a Polícia Militar quanto a Civil também prestam
esse apoio quando necessário. A PM e a PCPR estão focadas na manutenção da
ordem pública no Rio Grande do Sul, com patrulhamento nas ruas e nos abrigos
(são 70 mil desabrigados), bem como apoio nas investigações de crimes. Já a
Polícia Científica vem ajudando as autoridades gaúchas na remoção e identificação
de cadáveres.
O Paraná também enviou três helicópteros para auxiliar nas
buscas – um do Corpo de Bombeiros, um da Polícia Militar e um da Polícia Civil.
E eles têm feito diferença no Rio Grande do Sul. Uma das aeronaves é o Falcão
12 do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA). O helicóptero
conta com câmera termal, que mescla imagens normais com projeções de calor,
capaz de identificar possíveis vítimas mesmo no escuro. A aeronave também tem
deslocamento rápido, o que facilita o acesso a locais críticos.
Outra tecnologia do Falcão 12 é um sistema que permite
identificar alvos a 4,5 quilômetros de distância. O sistema permite inclusive a
identificação de placas de veículos e até mesmo monitoramente de residências. A
aeronave ainda possui farol de busca de longo alcance e alto-falante, além de
um sistema que permite a comunicação com outras unidades policiais. É uma das
mais tecnológicas em apoio às operações no estado.
Já a aeronave que presta apoio aos salvamentos do Corpo de
Bombeiros realizou 151 resgates nos cinco primeiros dias de operação – média de
30,2 ocorrências diárias.
CORPO DE BOMBEIROS – Primeira das forças paranaenses a
chegar ao Rio Grande do Sul, o Corpo de Bombeiros do Paraná já fez mais de mil
salvamentos. No total, foram 1.016 pessoas resgatadas e 457 animais salvos pela
corporação desde 2 de maio. Além dos resgates, os bombeiros paranaenses fizeram
transporte de medicamentos, de profissionais (médicos e militares) e ações de
ajuda humanitária, levando água, alimentos, produtos de limpeza e higiene a
quem precisa.
A segunda equipe enviada ao Rio Grande do Sul tem 37
bombeiros – três a mais do que na primeira leva. A corporação atua com 11
viaturas e 6 embarcações. Agora a demanda por resgates reduziu após o momento
mais crítico da tragédia ambiental, quando a primeira equipe atendeu diversas
ocorrências em sequência, muitas delas graves, como de pessoas penduradas em
árvores à espera de socorro.
Mesmo com a queda de ocorrências, aponta o coronel Manoel
Vasco de Figueiredo Junior, comandante do Corpo de Bombeiros, a situação segue
preocupante. Além de a água não baixar, muita gente ainda precisa de ajuda
humanitária. Além disso, os bombeiros estão tendo de retirar pessoas de suas
casas novamente, já que elas retornaram após serem resgatadas na primeira leva.
A criminalidade também prejudica o trabalho dos socorristas, que muitas vezes
precisam de apoio da polícia para fazer resgates e transporte de mantimentos.
“Inicialmente, atuamos em várias cidades, de acordo com a
necessidade mais urgente. Atualmente, estamos estabelecidos na cidade de
Canoas, que está dividida em cinco equipes de atuação – a nossa e mais quatro
–, cada uma responsável por um quadrante. Nesse espaço, fazemos todas as
operações de resgate, remoção de pessoas e ajuda humanitária que se faça
necessária”, explica Vasco.
POLÍCIA MILITAR – A Polícia Militar do Paraná está desde 8
de maio patrulhando diariamente as ruas de Porto Alegre para conter a onda de
crimes que tomou conta da capital gaúcha na catástrofe das chuvas. A corporação
está com 28 policiais no Rio Grande do Sul: 12 das Rondas Ostensivas de
Natureza Especial (Rone), 12 do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) e
quatro do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). As equipes da PM
atuam com oito viaturas e uma embarcação.
Enviados para auxiliar na segurança pública, os policiais
militares do Paraná realizaram o resgate de 21 pessoas e quatro animais
O tenente da Rone Bruno Carassai, que participa da missão,
explica que o cenário segue grave no Rio Grande do Sul, com casos de assaltos,
furtos, saques e até abusos sexuais. “O crime que mais vem demandando trabalho
das nossas equipes são os saques em residências e assaltos a voluntários. É um
absurdo ver gente que perdeu tudo ainda ser vítima de quem se aproveita desse
momento de dificuldade”, lamenta o tenente
Além das patrulhas nas ruas e nos abrigos, os PMs do Paraná
também estão tendo de acompanhar os voluntários nas ações solidárias. Isso
porque muitos estão sendo assaltados quando vão entregar mantimentos às
vítimas. Já no segundo dia de missão, a equipe prendeu um indivíduo que estava
assaltando os voluntários.
Por outro lado, o tenente Carassai diz que a onda de
solidariedade motiva as equipes a ajudar o povo gaúcho. “Por onde passamos, as
pessoas veem que a gente é de fora e agradece. Recebemos também muito apoio dos
voluntários, que muitas vezes nos fornecem nossa alimentação”, enfatiza.
POLÍCIA CIVIL – A Polícia Civil do Paraná vem prestando
apoio à corporação irmã gaúcha na crise das enchentes. São 35 policiais civis
paranaenses reforçando a segurança no Rio Grande do Sul – 30 deles em terra, de
diversas divisões, e cinco da equipe aérea da corporação, que atua com um
helicóptero. De domingo (12) até terça-feira (14), a PCPR atendeu 16
ocorrências de apoio à Polícia Civil gaúcha.
Mas é na segurança dos abrigos que a Polícia Civil mais vem
colaborando na tragédia gaúcha. Em apenas três dias, os policiais civis
paranaenses fizeram 64 rondas nos abrigos das vítimas das enchentes em Porto
Alegre e cidades vizinhas. O objetivo é evitar crimes como furtos, assaltos,
violência doméstica e até os casos de abusos contra mulheres.
Já os policiais dos grupos de elite da Polícia Civil –
agentes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e do Tático Integrado
de Grupos de Repressão Especial (Tigre) – estão focados em ocorrências mais
sensíveis, como no patrulhamento de regiões mais perigosas onde atuam facções
criminosas.
Coordenador da operação, o delegado Ivo Viana, da Delegacia
de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), explica que apesar da queda de
ocorrências, a situação nos abrigos preocupa. “Temos que fazer monitoramento
constante porque é um grande volume de pessoas no mesmo espaço. Isso envolve
famílias inteiras, crianças, que por mais que tenha uma organização nesses
abrigos, essas pessoas estão dentro do caos”, diz o delegado. “O fato de
estamos nos abrigos traz tranquilidade a quem é do bem e inibe quem pensa em cometer
crimes”.
Viana também diz que pelo fato de a água ter baixado um
pouco, muitas pessoas já estão retornando para suas casas, o que preocupa não
só pela movimentação de pessoas, mas também pelo risco de que a água volte a
subir com a previsão de mais chuva. “Estamos monitorando isso porque muita
gente está se antecipando em voltar para casa neste momento”, afirma o
delegado, que é gaúcho de Santa Maria. “É um grande orgulho poder ajudar os
meus conterrâneos atuando pela Polícia Civil do Paraná".
POLÍCIA CIENTÍFICA – A primeira equipe da Polícia Científica
do Paraná retorna nesta quinta-feira (16) do Rio Grande do Sul. Após dez dias,
a equipe será rendida por outra também com quatro peritos. Nos oito primeiros
dias de apoio ao Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS), a
Polícia Científica paranaense ajudou a recolher 12 corpos de vítimas das
enchentes. A maioria desses corpos foi identificada por exames de papiloscopia,
porém alguns tiveram que passar por exames de DNA.
“Estamos o dia todo de prontidão no 15º Batalhão da Brigada
Militar. Assim que somos acionados, vamos ao ponto para onde os corpos estão
sendo levados, recolhemos e encaminhamos ao Departamento de Medicina Legal do
Rio Grande do Sul”, explica o técnico em perícia oficial Fernando Anselmo
Nunes.
Nunes afirma que como a água está alta a demanda ainda não
está muito grande, o que é um componente adicional da tragédia humanitária.
Assim que a água baixar, acredita o técnico, o trabalho vai aumentar. “Quando a
água baixar o cenário deve mudar para pior, conforme as próprias autoridades
gaúchas acreditam. Devem começar a aparecer corpos inclusive nas residências”,
disse Nunes.
A Polícia Científica também enviou ao Rio Grande do Sul um
caminhão refrigerado e um drone com câmara térmica.
AEN | Foto: SESP
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