MP-PR já recebeu denúncias de quatro vítimas de médium João de Deus
- 14/12/2018
Diante da repercussão das
notícias relacionadas ao médium que teria praticado delitos contra a dignidade
sexual de mulheres em Abadiânia, no interior de Goiás, o Ministério Público do
Paraná, por meio do Núcleo de Apoio à Vítima de Estupro (Naves), está recebendo
denúncias de possíveis vítimas do médium João de Deus.. Segundo balanço
recente, quatro vítimas já procuraram o MP-PR.
Vítimas residentes no Paraná
devem procurar as Promotorias de Justiça de suas cidades para registrar as denúncias.
Em Curitiba, o Naves acolhe as denúncias pelo telefone (41) 3250-4022, pelo
e-mail naves.mp@mppr.mp.br ou pessoalmente, no Bloco I da sede do MP-PR (Rua
Marechal Hermes, 751, 5º andar, Centro Cívico).Os procedimentos realizados
serão encaminhados para o Ministério Público de Goiás, que tem atribuição legal
para apurar os fatos e instituiu uma força-tarefa para investigar o caso.
quatro.
A notícia de que o Ministério
Público de Goiás (MP-GO) pediu a prisão preventiva do médium João Teixeira de
Faria, o João de Deus, alterou a rotina no centro espírita Casa Dom Inácio de
Loyola, em Abadiânia (GO) e também nas pousadas, lojas, nos hotéis,
restaurantes que vivem do turismo religioso na região. Ônibus de excursão com
fiéis continuam chegando à pequena cidade de cerca de 12 mil habitantes,
dividida pela BR-060, que liga Brasília a Goiânia. O número de pessoas,
contudo, é inferior ao habitual. Comerciantes evitam falar com a imprensa, mas
alguns lamentam as desistências de reservas e a queda no movimento.
Pelo segundo dia consecutivo, o
médium não prestou atendimento e aconselhamento espiritual. Ontem, ele chegou a
passar pelo centro, mas permaneceu no local por menos de dez minutos. Após um
rápido pronunciamento a seus seguidores, no qual disse ser inocente e afirmou
estar à disposição da Justiça, ele deixou o centro em meio a um grande tumulto.
Nenhum dos assessores mais próximos confirma o paradeiro do médium e o advogado
não atende o telefone.
Hoje pela manhã, a mulher de João
de Deus, Ana Keyla Teixeira, esteve na Casa da Sopa e em um dos endereços
residenciais da família, mas evitou falar com a imprensa.
No site, a Casa Dom Inácio mantém
a agenda habitual até o fim do mês, com a previsão de atendimento todas as
quartas, quintas e sextas-feiras. No entanto, administradores do centro
espírita já cogitam a possibilidade de interromper as atividades
temporariamente, concedendo férias a parte dos 40 funcionários - número que
inclui também os trabalhadores da chamada Casa da Sopa, que funciona em um
casarão do centro da cidade e onde são servidas refeições para os fieis e para
a população em geral, além de oferecidos serviços assistenciais.
"Diante da turbulência, eu
aconselharia a fazermos um recesso”, disse à Agência Brasil um dos principais
gestores da casa, Francisco Lobo. “É uma forma de amenizarmos um pouco a
situação e evitarmos que as pessoas se desloquem de tão longe, onerando-as”,
acrescentou Lobo, garantindo que curtos recessos costumam ser adotados
anualmente, ou em setembro, ou em dezembro. "Esta semana, estamos
atendendo como já fazíamos. Quando o João não está [em Abadiânia] nós fazemos
isso, mantendo esse padrão [de atendimento]."
Lobo admite que a frequência à
casa esta semana está menor que de costume – mesmo levando em conta que, em
dezembro, habitualmente, o movimento cai em comparação ao resto do ano. “O
fluxo, hoje, é o mesmo de ontem. Cerca de 1,2 mil pessoas passaram por aqui”,
acrescentou o gestor, explicando que o número de atendimentos semanais em
outros períodos gira entre 3 a 5 mil pessoas.
“Claro que há uma redução diante
dos fatos. As pessoas vêm aqui para ser atendidas pelo João. Quando ele não
está, elas também são atendidas, mas elas vêm principalmente para ver e ser atendidas
pelo João”, destacou.
Ao contrário desta quarta-feira, quando o médium fez sua primeira aparição pública desde que o programa Conversa com Bial, da TV Globo, trouxe a público as primeiras denúncias de abuso sexual, a Casa Dom Inácio vetou o acesso de cinegrafistas e fotógrafos alegando preservar a imagem dos frequentadores. Pelas ruas, poucos moradores aceitam comentar as acusações e o pedido de prisão contra João de Deus, que há 42 anos se instalou na cidade transformando seu centro no principal atrativo e gerador de renda do município.
Agência Brasil
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