Saída dos cubanos do Mais Médicos terá impacto direto na saúde do Paraná
- 16/11/2018
O governo de Cuba anunciou, na
última quarta-feira (14), o fim de sua participação do programa Mais Médicos no
Brasil, após declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Em nota
divulgada pelo Ministério da Saúde do país caribenho, a decisão é atribuída a
questionamentos feitos pelo presidente eleito à qualificação dos médicos
cubanos e à exigência de revalidação de diplomas no Brasil. A decisão afetará o
atendimento da saúde no Paraná, já que o estado conta com o trabalho de 458
médicos do programa, distribuídos por 187 municípios e dois distritos
sanitários indígenas, e aproximadamente metade deles é de origem cubana.
A assessoria de imprensa do governo
do Paraná informou que ainda não se pronunciará sobre a saída dos médicos
porque não foi notificada oficialmente. O fato é que todos os 187 municípios
atendidos pelo programa serão afetados pela decisão do governo cubano, uns
menos outro mais.
A Prefeitura de Ponta Grossa, por
exemplo, já anunciou que terá problemas e graves com a saída dos médicos
cubanos. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) o município pode perder 75% dos
médicos nos próximos dias, segundo a prefeitura já que 60 dos 80 profissionais do
município são cubanos e devem voltar ao país de origem. De acordo com o
prefeito de Ponta Grossa, Marcelo Rangel (PSDB), a população vai enfrentar
problemas. “A situação vai ficar muito complicada. Haverá muitas filas. Faremos
um remanejamento na medida do possível”, disse Rangel, em entrevista coletiva.
O município estuda medidas para permitir a contratação emergencial de profissionais.
Em Curitiba, a saída dos médicos
cubanos terá menos impacto. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde de
Curitiba, dos 628 médicos do município, apenas 38 são do Programa Mais Médico.
E apenas 4 são médicos cooperados de origem cubana. A Prefeitura também prefere
ser notificada antes de se pronunciar.
Também na quarta-feira (14),
falando sobre a saída dos cubanos, Bolsonaro disse que o programa não vai
acabar.
18 mil médicos
Um dos programas mais conhecidos
na saúde, o Mais Médicos foi criado em 2013, na gestão da ex-presidente Dilma
Rousseff (PT) para ampliar o número desses profissionais no interior do país.
Cerca de 18 mil médicos atuam no programa - destes, 45% são brasileiros e 47%
são cubanos, vindos ao Brasil por meio de cooperação com a Opas (Organização
Pan-Americana de Saúde). Os demais são intercambistas estrangeiros.
Profissionais devem começar a deixar o Brasil no dia 25 de novembro
Os médicos cubanos que atuam no
Programa Mais Médicos devem começar a deixar o Brasil no dia 25 de novembro. A
informação é do governo cubano, reunião da embaixada de Cuba em reunião com representantes
do Conasems, conselho que reúne secretários municipais de saúde, e membros da
Opas (Organização Pan-Americana de Saúde).
A saída deve ser gradativa,
separada por regiões, mas deve ser concluída em 40 dias. Atualmente são 16.150
médicos que atuam no Mais Médicos, 8.332 são cubanos. O fim da participação dos
médicos cubanos foi anunciado na quarta-feira.
Representantes da embaixada comunicaram os municípios que a decisão é “irrevogável”.
Bem Paraná
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