Adolescente ferido em ataque a escola em Medianeira deseja perdoar atirador, diz pai
- 02/10/2018
O adolescente Bruno Raphael
Facundo, de 15 anos, ferido durante o ataque ao Colégio Estadual João Manoel
Mondrone, em Medianeira, disse ao pai que deseja perdoar o atirador.
“A gente estava conversando no
domingo e ele do nada falou: 'pai, eu queria estar bem para poder ir ao
encontro do meu amigo, dar um abraço e dizer que eu perdoo ele'. São valores
que a gente sempre ensinou para ele”, comentou o pai, Éder Facundo.
Bruno está internado no Hospital
do Trabalhador, em Curitiba, onde passa por tratamento para recuperar parte dos
movimentos do lado esquerdo do corpo, prejudicados pela bala alojada em uma das
vértebras na região lombar.
Segundo o médico que o acompanha,
nos próximos dias o adolescente deve ser transferido para o Hospital de
Reabilitação, também na capital, onde deve intensificar o tratamento.
Uma cirurgia para a retirada do
projétil por enquanto está descartada. Por estar alojada em uma parte óssea,
não deve causar danos irreparáveis aos nervos.
“Esse projétil atravessou a
lombar e se alojou em uma das vértebras. A lesão dele não é definitiva. Então,
ele deve nas próximas semanas se recuperar”, explicou o ortopedista Xavier
Soler.
Investigações
A Polícia Civil está tentando
descobrir quem vendeu os explosivos usados pelos dois adolescentes durante o
atentado. Na mochila de um deles foram encontrados vários artefatos, entre eles
uma bomba caseira.
“Como foram encontrados com os
adolescentes alguns artefatos explosivos, aguardo a perícia. Teremos que
verificar a origem, onde foi comprado isso daí e a legalidade desta venda para
menores”, comentou o delegado Dênis Merino.
As investigações indicam ainda
que foram feitos ao menos oito disparos com um revólver calibre 22. A arma,
considerada uma relíquia, pertencia ao pai do atirador, que chegou a ser preso
e foi liberado depois de pagar fiança.
Os adolescentes estão apreendidos
no Centro de Socioeducação (Cense) de Foz do Iguaçu.
Alguns estudantes e funcionários
do colégio foram intimados e devem prestar depoimento na delegacia de São
Miguel do Iguaçu até o fim de semana.
Depois, os adolescentes devem ser
novamente ouvidos.
“Eles foram ouvidos informalmente
e eles nos relataram com detalhes tudo o que acontecia no âmbito no bullying. O
foco agora são as investigações em relação aos agressores que praticavam o bullying”,
completou o delegado.
A polícia identificou três dos
possíveis agressores e alvos do ataque.
Volta às aulas
E, nesta terça (2), os cerca de
1,5 mil alunos voltaram às aulas que estavam suspensas no colégio estadual
desde o dia do ataque.
Alguns pais disseram que esperam
que medidas contra o bullying sejam adotadas para que outras tragédias sejam
evitadas.
“É difícil falar quando se trata
de bullying. Mas, a gente espera que a escola preste um pouco mais de atenção
nisso. Apesar que os alunos pouco vão à direção para comentar sobre isso, então
é difícil para a escola saber o que está aconteceu. Também é preciso conversar
com os filhos”, observou Eliza Passine, mãe de um estudante.
Segundo a polícia, o atirador vinha sofrendo bullying havia pelo menos cinco anos.
G1
Ficou sabendo de algo? Envie sua notícia no WhatsApp Xeretando (45)99824-7874
0 Comentários