Trabalhadores dos Correios entram em greve a partir desta terça

  • 18/08/2020

Trabalhadores dos Correios de todo o país devem entrar em greve por tempo indeterminado a partir desta terça (18) contra a retirada direitos na folha salarial em meio a pandemia e pela preservação da vida.

A mobilização unifica as duas federações – Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) e Federação dos Trabalhadores em Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos  (Fentect) –  que representam os mais de 70 mil funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), vinculada ao Ministério das Comunicações.

Assembleias para consolidar a orientação das entidades sindicais serão realizadas nesta segunda-feira (17), no entanto, o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva, aponta que a expectativa é uma paralisação a nível nacional. “A gente avalia que diante de todos os ataques já implementados pela direção dos Correio, amanhã as atividades estarão todas paradas. A partir de hoje nos lugares que tem terceiro turno. Os trabalhadores que decidem, mas a nossa expectativa é que haja uma adesão e que a gente tenha uma greve fortalecida nos Correios”, pontua.

De acordo com as entidades, a administração federal quer retirar 70 dos 79 pontos da convenção coletiva que complementam o salário médio de R$ 1.8 mil dos trabalhadores. O representante da federação reitera que a categoria não está fazendo greve por benefícios, mas pela manutenção dos direitos estabelecidos pelo acordo coletivo, inicialmente previsto para valer até 2021.

Em outubro de 2019, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve todas as cláusulas da convenção coletiva, com vigência por 24 meses. Porém, a empresa recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu uma liminar que reduziu pra 12 meses. O recurso da categoria ainda corre na justiça, mas desde 31 de julho, os trabalhadores estão sem cobertura do acordo coletivo.

“Nossa greve é contra a direção dos Correios, que de posse dessa liminar está implementando e retirando uma série de direitos dos trabalhadores, mudando regra de férias, de pagamentos de hora extra, reduziu ticket alimentação, cortou benefício do filho com necessidade especial, reduz a licença a maternidade de 180 dias para 120 dias, diminui o período de amamentação, aumentou desconto do plano de saúde" explica Silva.

Silva explica que a negociação do novo acordo e da campanha salarial foi iniciada há 50 dias à revelia da categoria, que defendeu que as negociações aconteçam pós-pandemia, mas até agora não houve retorno nas tentativas de diálogo com o governo federal.

“A gente não tem grandes pedidos, nada de absurdo na reivindicação. O problema é que desde o ano passado os Correios querem cortar os direitos e a remuneração dos trabalhadores. O que nós resta é arregaçar as mangas e paralisar a produção”, declara Silva.

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) é dirigida atualmente pelo general reformado do Exercito, Floriano Peixoto Vieira Neto.

Em defesa da vida

Outro ponto de reivindicação da greve é o risco à vida dos trabalhadores e também dos clientes dos Correios diante do novo coronavírus. Segundo a Fentect, quase 100 trabalhadores morreram em decorrência da covid-19 no último período.

"Nossa greve é (também) em defesa da vida dos trabalhadores. Já morreram muitos por consequência do serviço essencial, exposição na rua e falta de EPIs dos Correios. Enquanto você recebe as encomendas na sua casa, tem gente morrendo e a direção dos Correios não está fazendo nada, é indiferente, é só mais um”, lamenta Silva.

Ele ressalta que os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) só foram distribuídos pela administração federal após as entidades entrarem com ações judiciais para obrigar os Correios a fornecer álcool em gel, máscaras para os funcionários e produtos para desinfecção de pacotes e agências. Ainda assim, segundo Silva, a situação ainda é precária, pois muitas agências não têm a proteção de acrílico para o atendimento no balcão.

O corte na participação do Correios no custeio do plano de saúde, aumentando consequentemente a quantia paga pelos trabalhadores, é, para Silva, um “absurdo” em meio à pandemia. Isso porque, conforme ele relata, tendo que pagar mais pelo convênio médico, e de forma tão repentina, muitos trabalhadores não conseguirão arcar com os custos e ficarão sem assistência. 

Privatização

As federações denunciam que a investida do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) sobre os direitos dos trabalhadores se trata de uma tentativa de sucateamento e desmonte para justificar a privatização dos Correios.

Com inf, Brasil de Fato | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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